Interlúdio

Todos perceberam que o blog está em pausa. Tenho a dizer apenas que é uma pausa musical, um silêncio ativo, e não simples emudecimento.

Retornarei à atividade em breve com histórias novas e antigas.

Beijos a todos. Fiquem com Deus!

Um ano

Há um ano eu me casei. Há um ano eu abri mão da minha individualidade, e descobri minha identidade. Há um ano eu sou eu plenamente.

Essa é a verdade que descobri com o casamento, que abrindo mão de mim eu descubro quem realmente sou, e me encontro. Essa é a lição que nem todos entendem, e que a sociedade atual renega e repudia, a lição de que nossa felicidade está no outro, e não em nós.

Vivo hoje para minha família – por enquanto minha família é minha esposa, pois os filhos virão quando e como Deus quiser –, e vivo muito melhor que quando vivia somente para mim. Sair do próprio umbigo é uma experiência cansativa, que pode ser também dolorosa, mas extremamente proveitosa e recompensadora.

Descobri também que o casamento realçou minhas características. Percebi que sou mais individualista que gostaria, que sou mais teimoso do que gostaria, que sou mais paciente do que imaginava, e ao mesmo tempo mais impaciente com coisas específicas. Percebi que sou engraçado, brincalhão, preocupado, impulsivo, exigente, perfeccionista, extrovertido, carinhoso e muito nerd.

Isso pode ser óbvio para todos que convivem comigo, mas com o casamento eu fui levado a refletir, e percebi isso num nível que eu não havia alcançado ainda. E foi muito bom, pois aprendi que sou melhor do que achava que era, e ao mesmo tempo percebi que tenho muitas coisas a melhorar, e essa melhora já se iniciou.

Vou me tornar perfeito porque me casei? Provavelmente não. Mas vou me tornar uma pessoa melhor, e justamente por causa do casamento. Porque me encontrei, me vi, me observei, e porque decidi crescer com/para/por minha família. Essa é minha vocação, “que Deus me ajude a cumprir esta promessa”.

Naturalmente, eu não passei a existir só após o casamento. Venho de uma família que me ensinou a amar, que me mostrou a fé, que me amou e me formou. Esses valores aprendidos desde o berço é que me levaram a buscar um casamento santo, e Deus me deu a enorme graça de ter uma esposa que busca a mesma coisa.

À minha esposa, minha família, minha Maria: AMO VOCÊ, e quero amar cada vez mais, “como Cristo amou a Igreja”!

Diálogos surreais e semi-indecentes

Sendo bem direto, se você tem estômago fraco para duplo sentido ou piadas infames, pare de ler, ok? Vamos economizar constrangimentos.

Se continuar lendo, é por sua conta e risco… ^_^


Diálogo surreal 1:

No trabalho:

Fabão: – Uma mulher maneta é uma mulher que não tem mão, certo?

Zé: – Sim.

Fabão – E uma mulher que não tem buço? É uma bigodeta? (tem que falar antes que as pessoas falem sem pensar…)

Diálogo surreal 2:

Mais tarde, na casa da Mamma:

Mamma: – Eu já fiz tanta lembrancinha que quando for o casamento da Tutuxa eu não tenho mais idéia…

Pappa: – Faz a mulher sem buço. hahahahahahaha

Fabão: – Só vai ter que comprar um monte de Bombril… hahahaahahahahaha

Reflexão

“Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça”. (São Boaventura de Bagnoreggio).

A Parábola do Rato

Eu sou um cara impaciente com certas coisas específicas. Se eu recebo um e-mail com o assunto “FW: LINDO!!!!!! Tente ver sem chorar!” eu deleto sem pensar duas vezes, e faço questão de nao abrir.

Talvez por isso eu não conheça a Parábola do Rato, mas sua continuação é óbvia e por isso me diverti deveras com a versão que recebi por e-mail esta semana…


A Parábola do Rato

Certo dia, um homem entrou numa loja de antigüidades e se deparou com uma belíssima estátua de um rato. Bestificado com a beleza da obra de arte, ele correu ao balcão e perguntou o preço ao vendedor:

- Quanto custa?

- A peça custa R$ 50 e a história do rato custa R$ 1.000.

- O quê? Você ficou maluco? Vou levar só a obra de arte.

Feliz e contente o homem saiu da loja com sua estátua debaixo do braço. À medida que ia andando, percebeu mortificado que inúmeros ratos saíam das lixeiras e bocas de lobo na rua e passaram a segui-lo.

Correndo desesperado, o homem foi até o cais do porto e atirou a peça com toda a sua força para o meio do oceano. Incrédulo, viu toda aquela horda de ratazanas se jogarem atrás e morrerem afogadas.

Ainda sem forças, o homem voltou para o antiquário e o vendedor disse:

- Veio comprar a história, não é?

- Não! Eu só queria ver se você não tem aí uma estátua do Roriz!

Há algo errado…

Vi no Ler a Vida, e publico aqui na íntegra, com grifos meus…

Alguma coisa está fora da ordem

Algo está errado no mundo. Ou, no mínimo, estranho.

Teorias da conspiração à parte - e deixando de lado qualquer espécie de fanatismo ideológico, seja ele religioso ou não -, o certo é que tem alguma coisa esquisita, fora da ordem.

Nunca fomos tão individualistas. Nunca pensamos tanto em nós mesmos. O que interessa é o “meu” emprego, o “meu” salário, a “minha” tal estabilidade, a “minha” família, o “meu” sucesso, o “meu” futuro. Dane-se o resto.

Como consequência, nunca fomos tão sós, apesar de tantas companhias. Nunca tivemos tanto medo do outro. Nunca sofremos tanto com a violência. A desigualdade social assustadora, os abismos, nada disso nos sensibiliza mais.

Nunca fomos tão intolerantes. Em casa, no casamento, no trabalho, no trânsito. Até os mais mansos dos mansos aderiram ao discurso de não levar desaforo pra casa. Nunca fomos tão brigões. Nunca gritamos tanto.

Como consequência, nunca fomos tão chatos. A lamúria virou regra. Reclamamos de tudo e todos. Nada mais nos satisfaz. Conseguimos transformar senso crítico em intolerância.

A guerra de sexos nunca provocou tanto estrago em nós. As mulheres se perderam em um feminismo insano. E nós homens descobrimos nossa fragilidade da forma mais trágica possível.

E o sexo, sexo mesmo, também nunca provocou tanto estrago em nós. Na tv, ouvi esses dias um jovem dizendo que “já fu… com a irmã”. Às gargalhadas, contou que quando o incesto foi consumado, ele estava bêbado. Ela, drogada.

Ainda diante da tv, presenciei recentemente uma “especialista em sexo” decretando que em pouco tempo já não teremos mais a divisão homem/mulher, heterossexual/homossexual/bissexual, monogâmico/poligâmico.

Os pais não podem mais dar palmadas nos filhos, sob o surreal risco de irem parar na cadeia. Virou lei. O presidente sancionou, alegando que é necessário criminalizar os espancamentos. Ora, ora, espancar já é crime. Não era o espancamento que estava em jogo.

Sem palmadas, sem limites, nossas crianças crescem em busca de poder. Nunca fomos – crianças ou não – tão sedentos pelo poder. Não basta mais ser rico, milionário. É preciso ter poder. Muito poder. Assim, nunca fomos tão falsos. Tão infiéis. Tão traíras. Tão lobos vestidos de cordeiro.

Com poder em mãos, ou em busca de, nunca fomos tão sedentos de perfeição. Não aceitamos mais defeitos, limitações, frustrações. Não engolimos mais derrotas, inevitáveis. Queremos o corpo impecável - para sustentar nosso poder, nossa intolerância, nosso individualismo, nosso sexo.

Como consequência, estamos morrendo. Fisicamente, espiritualmente. E estamos morrendo como somos: imperfeitos.

Algo, definitivamente, está errado.

Mídia, informação, lendas e fatos

Vi hoje no Caia na Real:

“A população brasileira não é informada. Ela é manipulada, corrompida e imbecilizada diariamente em nome do ‘bom jornalismo’. O que se faz no Brasil, e mais especificamente na TV, não é jornalismo, é colunismo social maquiado, é publicidade mascarada.”
(Luciana Lopez)

Não sei quem é Luciana Lopez… Sei que o autor tirou a citação do Observatório da Imprensa graças ao oráculo, e gostaria de comentar a respeito, com foco diferente do artigo original…

As primeiras pessoas que se colocaram a pensar a comunicação de massa no meio acadêmico atribuíam à comunicação um poder, quase mágico, de formar opiniões. A primeira teoria fala das agulhas hipodérmicas, que injetam o remédio ou o veneno diretamente na veia, e comparam a comunicação a uma agulha que define o pensamento do leitor/espectador.

Esse conceito foi depois revisto, mas de certa forma permanece até hoje (alguém aí já ouviu falar em “formadores de opinião”?), tamanha foi a popularidade da teoria.

Hoje em dia compreendemos que vários fatores influenciam a opinião do indivíduo, e também sabemos que a imparcialidade jornalística é lenda. Que editor autoriza uma notícia que prejudique o maior acionista do jornal e permanece no cargo?

Só que, sendo a imparcialidade impossível, os jornais brasileiros continuam querendo passar para o leitor a imagem de veículo imparcial. Essa parcialidade escondida é duramente criticada no meio acadêmico hoje, pois desde que o leitor saiba que o veículo tem uma tendência, um comprometimento ou um “rabo preso”, não há tanto problema em ser parcial, desde que respeitadas algumas regras básicas, como ouvir todos os lados de uma história.

É por causa dessa parcialidade mascarada que concordo com a Luciana Lopez que “o que se faz no Brasil, e mais especificamente na TV, não é jornalismo, é colunismo social maquiado, é publicidade mascarada.”

Vilões

Vi no Pelos cotovelos e cotovelinhos um post excelente

No post a autora do blog fala de uma vez que sua filha brincou de bruxa, e comenta que os paranóicos do politicamente correto pensariam a respeito.

Eu já falei aqui o que penso sobre essa idiotice do politicamente correto, e minha opinião não mudou, mas acho interessante essa reflexão.

Qual o problema com os anti-heróis e os vilões? Por quê tantos pais e educadores se esforçam tanto para que os filhos sejam príncipes e princesas, criados numa bolha e pensando como teletubbies?

Não se trata de estimular um comportamento imoral ou reprovável, mas de permitir que a criança saiba que todos podemos escolher entre ser bruxas ou princesas, heróis ou vilões. E mesmo de saber que o Anakin dentro de nós pode se redimir, ainda que no fim da vida.

Trata-se ainda de ensinar às crianças que somos seres multifacetados, e que mesmo sendo bons, temos nossos momentos ruins. É importante saber lidar com esses momentos, para aprendermos também a lidar com frustrações e a controlarmos nossos impulsos.