No dos outros…
Aprendendo
Posted in No dos outros... on dezembro 4th, 2008 by Fabão – Be the first to commentUm dos blogs que visito com freqüência e sempre recomendo é o Leve um Casaquinho. Um post relativamente recente que me emocionou foi este que reproduzo aí embaixo. O pos original está aqui.
Beijos,
Fabão
Aprender com os filhos
Antes de ser mãe, sempre ouvi que “a gente aprende muito com os filhos”. Passei o domingo inteiro com ela. Workshop de poesia.
***
“Bonito”
Estávamos brincando no quarto dela. Tocou a campainha, ela fez uma carinha de expectativa e me perguntou:
- Quem é?
Resolvi devolver a pergunta.
- Quem será, filha? Quem você acha que é?
- Vovô.
- Você está com saudade do Vovô Luiz, filha?
- Bonito.
Ninguém escreveria um diálogo em que a resposta afirmativa para “você está com saudade?” fosse, simplesmente, “bonito”. É coisa de criança, pura poesia.
***
“Do meu coração”
Eu empurrava o carrinho pela calçada e, de repente, percebi que passaríamos por um homem dormindo no chão. Enrolado num cobertor sujo da cabeça aos pés, na verdade os pés e a cabeça apareciam, descobertos e cinzentos, dando impressão de que aquilo tudo era uma só coisa esquecida e abandonada, coberta e homem, unhas, cabelos, tristeza e só.
A primeira coisa que meu instinto materno – politicamente incorreto, claro – apontou foi: preciso desviar, ela vai sentir medo. Ela só tem pouco mais de um ano e meio, ainda não pode entender certas coisas. Vai se sentir ameaçada, imaginar que é um bicho, chorar, levar um susto. E tem mais: aquilo era a imagem da tristeza, da solidão e do abandono, e eu não quero que a minha filhinha tenha contato com isso tão cedo. Ponto final.
Uma vírgula, não dava mais tempo de desviar. Era dia de finados, a rua estava abarrotada, tinha maratona no Aterro e os carros estavam estacionados tão próximos uns aos outros que não caberia nem uma pessoa magra, que dirá uma mãe com carrinho. Não pude evitar; passamos pelo mendigo.
- O moço. O moço.
- Sim, filha, é o moço.
- Dormindo.
Apressei o passo.
- Isso mesmo, filha, o moço está dormindo.
- Quer ver.
- Eu sei que você quer ver, mas o moço precisa descansar, vamos deixar ele ali.
- Quer ver. Quer ver.
À medida que fomos nos afastando, ela deitou a cabecinha para poder acariciar o encosto do carrinho e, como faz com as bonecas quando está brincando, deu pequenas palmadinhas e cantou:
- Nana, moço, do meu coração…
No d’O Taverneiro
Posted in Blog, No dos outros... on maio 8th, 2008 by Fabão – 1 CommentEste post inaugura mais um marcador para este blog, o marcador “No dos outros…”.
Nos posts deste marcador eu irei sugerir blogs e/ou sites legais, que acesso com freqüência ou só que eu entrei uma vez e gostei…
Para começar, dois posts mais ou menos recentes do fantástico Sem mais para o momento. O post é meio grande, pois juntei dois posts grandes em um só, então se quiser ler direto da fonte clique aqui e depois aqui.
P.S.: É legal registrar as coisas que as crianças falam. Todos os pais deveriam ser obrigados a fazer isso… ^_^
Diálogos entre pai e filha
O sentido da vida:
- Papai, por que você nasceu homem?
- Uai, Melissa… sei lá! Porque quiseram assim!
- Hum… mas você nasceu da barriga de quem?
- Ué! Da minha mãe! A sua avó!
- Hãaannn…… ué, mas ela era novinha?
- Claro! Um dia ela já foi que nem você!
- Hummm….. (10 segundos depois, ainda achando que a avó sempre foi velha). Mas tem foto disso?! Quero ver!
Mais uma vez achando que a avó sempre foi velha:
- Papai, cadê a Léia? (babá)
- Tá lá na frente ó. Vindo bem devagar, porque ela está trazendo sua bisa.
- Hum…. e por que elas ‘tão’ andando bem devagarzinho?
- Por que a bisa já está bem velhinha.
- Ahhh… igual a vovó Vicencia, sua mamãe, né?
Caçoando a avó de novo:
- Vovó, como você consegue me pegar no colo só com um braço?
- Porque eu como tudinho todo dia e fico forte!
- Ué! Mas você não é velhinha?
Fora de contexto, durante o jantar:
- Papai, quero ser baterista!
Mais fora de contexto ainda, dias depois:
- Papai, quero ser bailarina.
- Ué! já desistiu da bateria?
- Nãaaooo. Outro dia eu vou ser baterista. Mas agora quero ser bailarina.
Conclusão óbvia:
- Papai, você sabe qual é o nome da mulher do Pernalonga?
- Não faço idéia.
- Ué! pernaLARGA!!! (óbvio, né? se o masculino é “longa” o feminino tem de ser “larga”)
Xixi na cama:
- Bom dia papai.
- Bom dia filha.
- Não bida (briga) comigo não, tá.
- Ué, por que?
- Mas por favor papai…
- Sim, mas por que você está falando isso?
- Porque minha calcinha está molhada.
- $#%@*#!!!! Mas por que você fez xixi na cama?! Não já falei que não pode!!!
- Ditupa (Desculpa) papai. É porque eu não queria te acordar…
(como é que briga desse jeito?)
Xixi no meio da madrugada:
- Papai, papai. Acorda papai (susurrando).
- Quié Melissa.
- Quero fazer xixi.
- Vamos lá então.
Ela sentada no vaso, quase dormindo, olha para o pai e ainda sussurando diz:
- Eu estou de parabéns, né papai?
- Tá sim.
- É porque eu já sou dande (grande).
Crise de identidade:
- Quero jantar arroz, fijão (feijão), tarninha (carninha) e tomate
- Tá bom.
- Ahhhhhh. Esqueci! Minha mãe disse que eu sou vegetariana e não posso comer os bichinhos.
- Tá bom. Depois a gente conversa sobre isso.
15 minutos depois…
- E aí Melissa? O que é mesmo que você quer jantar?
- Arroz, fijão, tarninha e tomate.
- Ué! Você não disse que era vegetariana?
- Sou, mas só hoje que eu não vou ser, porque eu adoro tarninha. Amanhã eu sou vegetariana, tá?
- Então tá, né?
O sentido da vida – parte II
- Ué, eu não vou almoçar na sua casa?
- Por que não tem ninguém lá em casa.
- E você não sabe fazer almoço?
- Não.
- Por que você é velho?
- Ué, por que?
- Por que velhinho não sabe fazer almoço.
- Então você também é velhinha ué. Você não sabe fazer almoço!
- Não, olha (mostrando as mãos). Minha mão nem tem um mooooonte de pintinhas.
- Ué, o que tem a ver?
- Porque quando a gente tem um mooooonte de pintinhas a gente tá velho. Igual a minha vovó bisa (bisavó).
- Tudo bem…
As madrinhas
- Papai, o que as filhas são das Dindas (Madrinhas)
- Afilhadas
- Haaaannnnn…… (15 segundos depois). Mas também são florzinhas, né?
Construção verbal
- Melissa! Não ponha isso na boca!
- Já era… eu já tinha puzido (o passado de pôr)
Questão existencial
Observando atentamente ao Tio Feliz (pai do Dudu), com seus 1,55m
- Papai, por que ele é pequeno?
- Porque ele não comeu direito quando era criança
- Aahhnn… ainda bem que eu como direitinho, né?
Metáfora mal construída
- Papai, todo mundo tem pilha? (o avô vive perguntando se ela “está de pilha nova”, tamanha a agitação dela em alguns momentos).
Vocabulário:
Gurex – Durex
Futi-fruti – Tuti-fruti
Pergunta pra ele… – Fala pra ele…
Erduti – Iogurte
Dôloná – Guaraná ou qualquer refrigerante
Cucuvelo – Cotovelo
Simpilons – Simpsons
Bichitéti – Chiclete
Lantermana – Lanterna
Marronzinho – Danette
Páginas – partes
Sala de espelho – sala de espera
Natal
Posted in Igreja, Loucuras e Sandices, No dos outros..., Refletindo on dezembro 28th, 2005 by Fabão – Be the first to commentRoubado do Blog do Pedro. Não tenho comentários, o post fala por si e eu concordo plenamente com o autor.
Uma coisa me desanima no Natal, fora o tão-citado consumismo exagerado: a estupidez dominante. Ela acontece o ano inteiro, mas torna-se especialmente insuportável quando lembram na TV que Jesus andou por aqui e pouco se sabe Dele como o século XXI gostaria.
Tá, eu passei 15 minutos assistindo ao Fantástico no Natal para, sem qualquer explicação racional, viver momentos de indignação. Passaram dois quadros muito inúteis e mal-feitos, porém dogmatizados como axiomas, como só poderia haver naquele programa. Um deles foi sobre a provável dieta de Jesus, uma informação que pode ser construtiva para aquelas pessoas que acham que no Oriente Médio só existe pão, trigo (pra fazer pão) e peixe.
O outro quadro, não menos mal-feito mas igualmente imortalizado na Enciclopédia Globo de Descobertas, afirmava que Jesus teve irmãos de sangue, filhos de José e Maria. Só que isso é pura incapacidade de ler a Bíblia, já que os “irmãos” citados lá são filhos de Maria de Cleófas (que obviamente não é Maria mãe de Jesus) ou de Zebedeu, o que levaria a crer que ou Maria ou José eram adúlteros e pela lei judaica deviam ser apedrejados. Até já me inventaram “Tiagos” a mais para sustentar a tese dos irmãos de sangue, um último ato desesperado. A fórmula é simples: leia com cuidado e saberá a verdade, pois quem procura chifre em cabeça de cavalo bíblico certamente encontra.
E agora estou onde queria chegar. Natal é o nascimento de Jesus Cristo. Há dois mil anos faz-se a mesma pergunta: quem é Jesus Cristo? Explicações existem aos montes, cada um puxando a sardinha para o seu lado. Fala-se do “Jesus histórico” porque Jesus causa fascinação em qualquer um e carregar o “fardo religioso” ao se falar Dele pode ser muito pesado para alguns; mas não existe “Jesus histórico” e “Jesus religioso” como não há “Pedro bacharel em relações internacionais” e “Pedro pretenso escritor”, pois Pedro é um como Jesus é um. Fala-se de “Jesus sem-terra”, “Jesus comunista”, “Jesus revolucionário”, “Jesus rabino”. A pergunta é tão intrigante que o próprio Jesus Cristo a fez.
[Jesus] No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?
[Discípulos] Uns dizem que é João Batista, outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas.
[Jesus] E vós, quem dizeis que eu sou?
[Pedro, sempre ele] Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!
[Jesus] Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
Pedro disse a verdade porque não ouviu o que os outros achavam, sequer o que ele achava: a verdade foi-lhe revelada misticamente. Por causa disso Jesus confirmou o primado de Pedro frente aos outros apóstolos. Esta passagem inteira (Mt 16,13-19) está escrita em latim com mosaicos em toda à volta da nave da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Quem entra é convidado a olhar para cima como em qualquer templo grandioso, e ao levantar os olhos se depara com a pergunta milenar: “E você, peregrino? E você, Pedro, Tiago, João, Marília, Isabela — quem você diz que Eu sou?”
“No dizer do povo”, da mídia, do escambau, podem falar o que quiserem. Inventa-se muita coisa. Mas o Natal está aí, Jesus chegou, e a pergunta não se calou ainda.
Nomes
Posted in Hora do recreio, No dos outros... on dezembro 1st, 2005 by Fabão – Be the first to commentRoubado do post da Lu Patinho.
EXCELENTE!!!
Nomes perfeitos para as respectivas atividades
Ana Lisa
Psicanalista
P. Lúcia
Fabricante de Bichinhos
Pinto Souto
Fabricante de Cuecas
Marcos Dias
Fabricante de Calendário
Olavo Pires
Balconista de Lanchonete
Décio Machado
Guarda Florestal
H. Lopes
Professor de Hipismo
Oscar Romeu
Dono de Concessionária
Hélvio Lino
Professor de Música
K. Godói
Médico especialista em hemorróidas
Alberta Alceu Pinto
Garota de Programa
H. Romeu Pinto
Garoto de Programa
Eudes Penteado
Cabeleireiro
Sara Vaz
Mãe de Santo
Passos Dias Aguiar
Instrutor de Auto-escola
Édson Fortes
Baterista
Sara Dores da Costa
Reumatologista
Jamil Jonas Costa
Urologista
Iná Lemos
Pneumologista
Ester Elisa
Enfermeira
Ema Thomas
Traumatologista
Malta Aquino Pinto
Médico especialista em doenças venéreas
Inácio Filho
Obstetra
Oscar A. Melo
Confeiteiro