Há algo errado…
Posted in No dos outros..., Refletindo on agosto 2nd, 2010 by Fabão – Comentários desativadosVi no Ler a Vida, e publico aqui na íntegra, com grifos meus…
Alguma coisa está fora da ordem
Algo está errado no mundo. Ou, no mínimo, estranho.
Teorias da conspiração à parte - e deixando de lado qualquer espécie de fanatismo ideológico, seja ele religioso ou não -, o certo é que tem alguma coisa esquisita, fora da ordem.
Nunca fomos tão individualistas. Nunca pensamos tanto em nós mesmos. O que interessa é o “meu” emprego, o “meu” salário, a “minha” tal estabilidade, a “minha” família, o “meu” sucesso, o “meu” futuro. Dane-se o resto.
Como consequência, nunca fomos tão sós, apesar de tantas companhias. Nunca tivemos tanto medo do outro. Nunca sofremos tanto com a violência. A desigualdade social assustadora, os abismos, nada disso nos sensibiliza mais.
Nunca fomos tão intolerantes. Em casa, no casamento, no trabalho, no trânsito. Até os mais mansos dos mansos aderiram ao discurso de não levar desaforo pra casa. Nunca fomos tão brigões. Nunca gritamos tanto.
Como consequência, nunca fomos tão chatos. A lamúria virou regra. Reclamamos de tudo e todos. Nada mais nos satisfaz. Conseguimos transformar senso crítico em intolerância.
A guerra de sexos nunca provocou tanto estrago em nós. As mulheres se perderam em um feminismo insano. E nós homens descobrimos nossa fragilidade da forma mais trágica possível.
E o sexo, sexo mesmo, também nunca provocou tanto estrago em nós. Na tv, ouvi esses dias um jovem dizendo que “já fu… com a irmã”. Às gargalhadas, contou que quando o incesto foi consumado, ele estava bêbado. Ela, drogada.
Ainda diante da tv, presenciei recentemente uma “especialista em sexo” decretando que em pouco tempo já não teremos mais a divisão homem/mulher, heterossexual/homossexual/bissexual, monogâmico/poligâmico.
Os pais não podem mais dar palmadas nos filhos, sob o surreal risco de irem parar na cadeia. Virou lei. O presidente sancionou, alegando que é necessário criminalizar os espancamentos. Ora, ora, espancar já é crime. Não era o espancamento que estava em jogo.
Sem palmadas, sem limites, nossas crianças crescem em busca de poder. Nunca fomos – crianças ou não – tão sedentos pelo poder. Não basta mais ser rico, milionário. É preciso ter poder. Muito poder. Assim, nunca fomos tão falsos. Tão infiéis. Tão traíras. Tão lobos vestidos de cordeiro.
Com poder em mãos, ou em busca de, nunca fomos tão sedentos de perfeição. Não aceitamos mais defeitos, limitações, frustrações. Não engolimos mais derrotas, inevitáveis. Queremos o corpo impecável - para sustentar nosso poder, nossa intolerância, nosso individualismo, nosso sexo.
Como consequência, estamos morrendo. Fisicamente, espiritualmente. E estamos morrendo como somos: imperfeitos.
Algo, definitivamente, está errado.


