Igreja

Hic est Filius meus dilectus

Postado em Igreja em 17/02/2010 por Fabão – Comenta aí!

 

 

…et ecce aperti sunt ei caeli, et vidit Spiritum Dei descendentem sicut columbam et venientem super se. Et ecce vox de caelis dicens: “Hic est Filius meus dilectus, in quo mihi complacui”. (Evangelium secundum Matthaeum 3, 17)

O Amor de Deus

Postado em Igreja, Refletindo em 18/01/2010 por Fabão – Comenta aí!

Texto novo no Tau Francisco. Como de costume, o link está aqui, mas a íntegra segue abaixo.

Abraços,

Fabão

O Amor de Deus

“O Amor se dá e se derrama. Não é devido, não é cobrado, é Graça!”

Foi particularmente difícil escolher o tema deste primeiro texto de 2010. Pensei em comentar as barbaridades do Plano de “Direitos Humanos” do governo Lula, pensei em falar da Misericórdia, pensei em falar das vestes litúrgicas do sacerdote, pensei em comentar notícias católicas pelo mundo, mas há um tema recorrente na minha vida, e não podia deixar de ser assim… Então falemos do amor do Amor.

O amor de Deus não é algo ao alcance da compreensão humana. Só podemos compreender minimamente o amor de Deus quando olhamos o mundo com os olhos cheios de amor, e eu diria cheios do Amor.

A própria existência humana é um ato de amor do Pai, especialmente depois do pecado original, pois diante de tão grande e maravilhoso Criador, diante do imensurável amor de Deus; a desobediência poderia ser justamente punida com a aniquilação da criatura, mas não o foi.

E por que o pecado de Adão não resultou na extinção da humanidade? Porque Deus criou o homem na liberdade e para aderir livremente a Deus, só que a liberdade que Deus dá ao homem não é direito do homem, não é algo que possamos reivindicar como nosso, nesse sentido possessivo que vemos tanto nos nossos dias. O livre arbítrio nasce da liberalidade, do Amor e da Misericórdia do Criador, que não quer adoradores desprovidos de senso crítico, mas pessoas que desejem a união com Deus de forma livre e consciente. O homem torna-se então livre para dizer sim ou não a Deus.

Diante dessa liberdade, Eva é seduzida pela serpente, da mesma forma que Adão é seduzido. E então começa o mais maravilhoso ato de Amor de Deus: a salvação do gênero humano.

Costumamos falar da salvação lembrando-nos de seu acontecimento central, que é a encarnação do próprio Deus no meio de nós, sua paixão e ressurreição. No entanto, não podemos esquecer que essa é a realização do plano de salvação de Deus, mas todo plano é um processo, e a salvação se concretiza em Cristo, mas não começa no seu nascimento. A salvação começa no momento em que Adão sai do Éden. A expulsão foi justa, mas o Senhor não abandona seus amados, e busca revelar-se ao homem, que não o vê mais como via no paraíso.

O resultado? Abraão, Noé, Moisés, a Lei, os profetas. Todo o Antigo Testamento mostra a labuta de Deus no intuito de revelar-se ao homem, de preparar o homem para a chegada do Cordeiro, para a salvação, de mostrar ao homem o que é o homem e qual sua vocação. Então vem Jesus, na plenitude dos tempos, no ápice da história da salvação, mostrar-nos até onde vai o Amor de Deus. É Jesus a plenitude da revelação, o Messias esperado, o ungido do Senhor!

É ele que “revela o homem a si mesmo plenamente e descobre-lhe a sua sublime vocação” (Constituição Pastoral Gaudim et Spes, 22). Em Jesus, o ser humano vê o Senhor face a face novamente, não chora mais o nosso coração com saudade do paraíso, pois o Céu desceu à Terra, nosso Deus está aqui!

Se a medida antes era a Lei, agora é o amor, ou melhor, o Amor, pois a lei existia para nos levar a Cristo (Gl 3, 24), para levar-nos ao Amor. O mesmo Amor que luta pelo homem desde o pecado original, que aceita o arrependimento e o ato de contrição do criminoso que foi crucificado ao seu lado (Lc 23, 39-43), que olha para o homem pecador e se compadece, e tal compaixão (fruto do amor) é tão arrebatadora que prostitutas abandonam sua vida anterior, homens deixam seu ofício apenas para segui-lo (MT 4, 18-22), pecadores reconhecem que não são merecedores da presença do Amor, mas reconhecem nele a salvação (MT 8, 5-8).

Mas o Amor se dá e se derrama. Não é devido, não é cobrado, é Graça!

Que saibamos corresponder a este Amor tão grande e tão maravilhoso. E que neste ano de 2010 sejamos repletos de amor, para que irradiemos a face do Senhor por onde passarmos! Amém!

Esportista não praticante

Postado em Igreja, Refletindo em 05/01/2010 por Fabão – 2 Comentários

Escrevi recentemente um texto para o Tau Francisco, contendo uma reflexão sobre um texto do Fred. É um assunto que sempre me intrigou e incomodou, pois entendo que religião implica em prática religiosa, não só em afirmar-se religioso. O link para a reflexão no Tau está aqui.

 

Esportista Não Praticante

Dois amigos se encontram e um pergunta ao outro:
– E aí, cara? Há quanto tempo, hein? Como vão as coisas?
– Muito tempo mesmo. Tudo bem. E com você?

– Tudo tranqüilo. Você ainda joga futebol? Eu lembrei que você jogava profissionalmente…
– Jogo sim. Mas jogo num time que não participa dos campeonatos promovidos pela CBF.

– Como assim?
– É porque eu discordava de muitas regras do futebol. Então me uni a um grupo de amigos que também discordavam de algumas regras e montamos um grupo que joga de forma independente.

– Interessante…
– Pois é. Começamos a jogar com um grupo pequeno. Aí fomos chamando outras pessoas e tentando convencê-las que as regras da FIFA não são corretas. Nosso grupo foi crescendo e já estamos atuando em mais de dez países em três continentes.

– Mas que regras são essas?
– Ah, são várias. Por exemplo: não concordamos com a regra do impedimento. Pra nós, para ocorrer um impedimento depende do jogador que está entre o último jogador de defesa e a meta. Se o jogador “impedido” tiver um numero ímpar na camisa, só será impedimento se o jogador mais próximo dele for ímpar também.

– Que estranho…
– Estranho nada. Foi lendo a regra original escrita em 1863 pela Football Association da Inglaterra que chegamos a essas conclusões. Afinal de contas, lendo a regra original podemos todos chegar às mesmas conclusões.

– …
– Outro exemplo de regra que não concordamos é a do pênalti. Aliás as áreas são completamente diferentes. Em primeiro lugar, não existe pequena área. Ela não serve pra nada mesmo. Só temos a grande área. E ela não é retangular. Ela é uma área circular com raio de quinze metros ao redor da marca do pênalti. Nós só consideramos pênalti se a infração ocorrer dentro da área e o jogador que ataca não estiver olhando para o marcador. Se ele estiver olhando ele tem obrigação de desviar da falta. Se ele estiver olhando e cair, é punido com o cartão laranja, que é uma mistura dos cartões amarelo e vermelho.

– Realmente, são umas mudanças bem radicais.
– Mas tudo é fruto da interpretação da regra original. A mudança mais importante é que nós não acreditamos que se um jogador pegar ou conduzir a bola com as mãos seja uma infração.

– Mas isso vai contra o próprio nome do jogo. Foot é pé em inglês…
– Tudo bem. Mas o futebol americano é jogado quase todo o tempo com as mãos. Isso é só um detalhe.

– Interessante. Essa conversa me deu algumas idéias.
– Porque?

– Lembra que eu jogava basquete? Pois é. Eu também discordava de algumas regras, mas, diferente de você, me afastei e virei um jogador não praticante. Até me falaram que eu deveria conversar com pessoas que jogavam há mais tempo que eu e poderiam me explicar melhor o porquê das regras. Mas achei que isso tudo era papo furado e preferi me afastar. Agora você me mostrou que posso seguir meu próprio caminho, inventar minhas próprias regras e até montar um grupo que posso convencer que estou certo.

– É isso aí. Mas não se iluda. Depois que criei meu próprio grupo já tivemos algumas dissidências internas que resultaram na formação de outros grupos. Uns traidores, sabe? Pra você ver como eles não tem coerência com o que defendem, já existem os dissidentes dos dissidentes.    (Texto em: http://fredegulhos.wordpress.com/2009/12/12/esportista-nao-praticante/)

Reflexão por Fabão:

Este texto foi escrito pelo meu irmão Fred e publicado em seu blog, Apesar do comentário final informar que se aplica a qualquer religião, vou trazer a reflexão para o Catolicismo, já que este é um site católico.

O texto parece sem sentido, não é? Ninguém jamais ousaria contestar a autoridade da FIFA em determinar as regras do futebol. No entanto, na vida espiritual, muitas pessoas se dizem católicas mas se consideram mais sábias que a Igreja. Quantas vezes não ouvimos algo como “eu sou católico mas não concordo com a Igreja em algumas coisas”, ou então “eu vou à missa, mas não sigo nada do que a Igreja ensina”? Ou pior, a aberração do “católico não praticante”?

São católicos que contestam a autoridade da Igreja, que foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 16, 18) e que recebeu a autoridade também de Jesus (Mt 16, 19 e Mt 28, 18-20), e que manifesta essa autoridade por meio da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério (2 Tim 2, 2). E essa atitude incoerente se tornou tão comum que não percebemos que é tão absurdo como um jogador profissional de futebol dizer que joga, mas não segue as regras.

Afinal, a minha subjetiva e limitada análise do mundo e da postura da Igreja é mais válida que a análise da Igreja, que tem autoridade dada pelo próprio Cristo, o auxílio infalível do Espírito Santo (Jo 16, 12-13), além de dois mil anos de filosofia e teologia desenvolvidos e fundamentados nessa autoridade e nesse Espírito? Seriam esses “católicos” (entre aspas mesmo) mais sábios que a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica?

Por fim, alguém já viu um budista, espírita, judeu, muçulmano ou mesmo um macumbeiro não praticante?

Fiquem com Deus!

Fabão

Natal 2009

Postado em Festa, Igreja em 23/12/2009 por Fabão – Comenta aí!

Que o Senhor nos abençoe, para que tenhamos um feliz e santo Natal! E um 2010 repleto da Graça!

presépio

Habemus Papam!!!

Postado em Igreja em 10/06/2009 por Fabão – 1 Comentário

Sem dúvida foi a Providência que nos deu Bento XVI!

Somente um teólogo “do primeiro time” para falar a um mundo tão irracionalmente racionalista e tão dogmaticamente arreligioso. Compartilho com vocês um trecho da oração do Angelus do dia 07/06/2009, domingo da Solenidade da Santíssima Trindade.

“La prova più forte che siamo fatti ad immagine della Trinità è questa: solo l’amore ci rende felici, perché viviamo in relazione per amare e viviamo per essere amati. Usando un’analogia suggerita dalla biologia, diremmo che l’essere umano porta nel proprio “genoma” la traccia profonda della Trinità, di Dio-Amore.”

Numa tradução fabônica – “A prova mais forte que somos feitos à imagem e semelhança da Trindade é esta: só o amor nos faz felizes, porque vivemos em relação para amar e vivemos para sermos amados. Usando uma analogia sugerida pela biologia, diríamos que o ser humano leva no próprio genoma a marca profunda da Trindade, do Deus-Amor”.

Poesia pura!