Mídia, informação, lendas e fatos

Vi hoje no Caia na Real:

“A população brasileira não é informada. Ela é manipulada, corrompida e imbecilizada diariamente em nome do ‘bom jornalismo’. O que se faz no Brasil, e mais especificamente na TV, não é jornalismo, é colunismo social maquiado, é publicidade mascarada.”
(Luciana Lopez)

Não sei quem é Luciana Lopez… Sei que o autor tirou a citação do Observatório da Imprensa graças ao oráculo, e gostaria de comentar a respeito, com foco diferente do artigo original…

As primeiras pessoas que se colocaram a pensar a comunicação de massa no meio acadêmico atribuíam à comunicação um poder, quase mágico, de formar opiniões. A primeira teoria fala das agulhas hipodérmicas, que injetam o remédio ou o veneno diretamente na veia, e comparam a comunicação a uma agulha que define o pensamento do leitor/espectador.

Esse conceito foi depois revisto, mas de certa forma permanece até hoje (alguém aí já ouviu falar em “formadores de opinião”?), tamanha foi a popularidade da teoria.

Hoje em dia compreendemos que vários fatores influenciam a opinião do indivíduo, e também sabemos que a imparcialidade jornalística é lenda. Que editor autoriza uma notícia que prejudique o maior acionista do jornal e permanece no cargo?

Só que, sendo a imparcialidade impossível, os jornais brasileiros continuam querendo passar para o leitor a imagem de veículo imparcial. Essa parcialidade escondida é duramente criticada no meio acadêmico hoje, pois desde que o leitor saiba que o veículo tem uma tendência, um comprometimento ou um “rabo preso”, não há tanto problema em ser parcial, desde que respeitadas algumas regras básicas, como ouvir todos os lados de uma história.

É por causa dessa parcialidade mascarada que concordo com a Luciana Lopez que “o que se faz no Brasil, e mais especificamente na TV, não é jornalismo, é colunismo social maquiado, é publicidade mascarada.”

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